A
- Abecedarium Nordmannicum
- Um texto curtinho do século IX, os anos 800, que lista as runas usadas no norte com os seus nomes. O título é em latim e quer dizer algo como "o ABC dos nórdicos".
- Abreviatura
- Forma curta de escrever uma palavra, como "vc" para "você".
- Acréscimo do pó
- Jeito poético de dizer que o ser humano é feito de terra e volta para ela quando morre.
- Álamo
- Outra árvore, alta, de tronco reto. É a palavra que Dickins prefere para traduzir a árvore do poema inglês.
- Alce
- Cervo enorme das florestas do norte, de chifres largos como pás. É um dos sentidos propostos para o nome da runa, sem prova.
- Alfabeto latino
- O alfabeto dos antigos romanos, o mesmo ABC que usamos hoje.
- Anglo-saxão
- Os anglo-saxões eram os povos germânicos que se instalaram na Inglaterra a partir do século V; a língua deles é o inglês antigo. Nesta página, "poema anglo-saxão" e "poema inglês" são a mesma coisa.
- Arreio
- O conjunto de peças que se põe no cavalo para montar e guiar, como a sela e as rédeas.
- Ásgarðr e Valhǫll
- Nos mitos nórdicos, Ásgarðr é a morada dos deuses, e Valhǫll, que muita gente conhece como Valhalla, é o salão de Odin para onde iriam os guerreiros mortos.
- Atestado
- Palavra que alguém viu escrita numa fonte da época. "Não é atestado" quer dizer: ninguém achou esse nome escrito em lugar nenhum.
- Auroque
- Boi selvagem da Europa, de chifres grandes, que hoje está extinto. Não existe mais nenhum.
B
- Balder
- Um dos deuses dos mitos nórdicos. Nas histórias, Loki tem culpa na morte dele.
- Beowulf
- Um longo poema em inglês antigo sobre um herói que enfrenta monstros.
- Bétula
- Árvore dos lugares frios do norte da Europa. É o sentido do nome desta runa nos poemas da Noruega e da Islândia.
- Bos primigenius
- É o nome científico do auroque, em latim, do mesmo jeito que Homo sapiens é o nosso.
C
- Cachoeira
- O verso norueguês fala da água que cai da montanha. É o jeito como o poeta da Noruega vê esta runa.
- Carro
- Aqui não é automóvel: é uma carroça de rodas, puxada por animais.
- Conjectura
- Palpite de estudioso, com argumentos, mas sem prova.
- Corcel
- Cavalo bonito e veloz, de montaria. É palavra de poema, quase não se usa no dia a dia.
- Corcel do mar
- Jeito poético de chamar o barco: um cavalo que corre sobre as ondas e, no mar bravo, não obedece ao freio.
- Cynewulf
- Um poeta inglês da Idade Média, que escrevia em inglês antigo e escondia o próprio nome em runas no meio dos versos.
D
- Dádiva
- Presente, coisa que se dá de coração.
- Desterrado
- Pessoa expulsa da sua terra, que vive longe de casa e sem ninguém por ela.
- Dickins
- Bruce Dickins, professor inglês que em 1915 publicou os três poemas com tradução. É a edição que seguimos, e as páginas citadas são dela.
- Dinamarqueses do leste
- Gente da Dinamarca, país do norte da Europa logo acima da Alemanha. É entre eles que o poema diz que Ing foi visto primeiro.
E
- Elliott
- Estudioso das runas que, num trabalho de 1980, propôs que o nome *algiz quisesse dizer "proteção".
- Emenda
- Correção que um estudioso faz num verso que parece ter sido copiado errado. O primeiro verso norueguês desta runa foi emendado.
- Encantamento
- Palavras ou sinais feitos para provocar um efeito, mais ou menos como uma reza ou uma simpatia.
- Equus
- A palavra latina para cavalo. Latim era a língua dos romanos, mãe do português. Equus e eh são parentes, como dois primos que herdaram o mesmo rosto.
- Erro de cópia
- Antes da imprensa, todo texto era copiado à mão, letra por letra. Quem copiava às vezes trocava uma letra, e a palavra mudava.
- Escória
- A sujeira que se separa do ferro quando ele é derretido para ser trabalhado; uma crosta que não serve para nada.
- Estrofe
- Cada bloco de versos de um poema, como cada parte de uma música antes do refrão.
- Estuário e bainha
- Estuário é o lugar onde um rio se alarga e encontra o mar, uma espécie de boca do rio. Bainha é o estojo onde se guarda a espada.
- Evangelhos de Lindisfarne
- Um livro dos Evangelhos copiado e decorado à mão em Lindisfarne, uma pequena ilha no norte da Inglaterra.
F
- Fato histórico, tradição moderna, lenda
- São os três selos da Grimória. Fato histórico é o que dá para ver numa pedra ou num objeto da época. Tradição moderna é o que se passou a dizer muito depois, sobretudo no século passado. Lenda é o que se repete, mas não tem prova.
- Fenrir
- Um lobo dos mitos nórdicos. Foi ele quem arrancou a mão de Týr, e é dele que fala o poema islandês quando diz "sobras do lobo".
- Freyr
- Deus nórdico das colheitas e da fartura. Dá nome a este primeiro grupo só porque o grupo começa com f.
- Fróði
- Rei da paz numa lenda da Dinamarca, dono de um moinho mágico, o Grotti, que moía ouro.
- Futhark
- É o nome desse alfabeto. Vem das seis primeiras runas, f, u, th, a, r, k, do mesmo jeito que dizemos "ABC" para falar do nosso. O Futhark Antigo é o primeiro deles, com 24 runas, e é o que esta trilha ensina.
- Futhark Antigo
- O primeiro alfabeto de runas, com 24 letras, usado mais ou menos do ano 150 ao 750 no norte da Europa. O nome vem das seis primeiras runas, como dizemos "ABC".
- Futhark Jovem
- A versão com só 16 runas que os escandinavos passaram a usar na época dos vikings, a partir de uns 800. Por isso os poemas norueguês e islandês falam só de 16 runas.
G
- Gallehus
- Lugar da Dinamarca, país do norte da Europa, onde foram achados chifres de ouro antigos. Um deles tinha uma frase em runas.
- Geada
- A camada fina de gelo que se forma no chão e nas plantas nas noites mais frias, como às vezes acontece no Sul do Brasil.
- Generosidade, em sentido abstrato
- Dickins entende que, no poema, a palavra não é o objeto dado, e sim a ideia: o gesto de dar.
- Gigante
- Nos poemas do norte, não é só alguém muito alto: é um ser hostil, perigoso para as pessoas.
- Glosas
- Palavras que um copista escrevia junto do verso para explicar o texto. No poema islandês, cada estrofe termina com duas: uma palavra em latim e um nome poético para "rei" ou "chefe".
H
- Hagal
- Não é deus nem pessoa: é o nome da runa do granizo. Este grupo leva o nome dela porque ela vem primeiro.
- Hávamál
- Um poema antigo da Islândia cheio de conselhos de vida, como um livro de provérbios em versos.
- Heardingas
- O grupo de pessoas que, segundo o verso, deu a Ing o nome de herói. O poema não diz mais nada sobre eles.
- Herança
- Terra e casa da família, passadas de pais para filhos. É o sentido do nome de Othala, a última runa.
- Hickes
- O estudioso que imprimiu o poema inglês em 1705. É por essa impressão que o conhecemos, porque o manuscrito queimou depois.
- Hipótese etimológica
- Palpite sobre de onde vem uma palavra e o que ela queria dizer no começo.
- Horna tawido
- As últimas palavras da frase do chifre de Gallehus. Querem dizer "fiz o chifre", e a runa o está nelas.
I
- Ing
- Herói ou deus antigo, lembrado num verso do poema inglês como quem partiu sobre as ondas. Dá nome à runa Ingwaz.
- Inglês antigo e nórdico
- O inglês antigo é o inglês de mais de mil anos atrás, tão diferente do de hoje que precisa ser estudado como outra língua; o nórdico é a língua dos vikings. Feoh e fé são o nome desta runa em cada uma delas.
- Inglês médio
- A fase da língua inglesa que veio depois do inglês antigo e antes do inglês de hoje, mais ou menos do ano 1100 ao 1500.
- Inscrição
- Texto entalhado num objeto: uma pedra, uma joia, um pente, a ponta de uma lança.
J
- Jór
- O nome do cavalo em nórdico antigo, a língua dos vikings. Repare que já não começa com e.
- Junça
- Planta de brejo parecida com capim, de folha cortante. A espécie do poema ninguém sabe qual é.
K
- *kenaz
- Outro nome reconstruído para esta mesma runa, deduzido da palavra inglesa cen. Muitos livros usam este.
- Kenning
- No plural, kenningar. É o jeito da poesia do norte de chamar uma coisa por uma imagem, em vez do nome, como quem diz "rei dos animais" para o leão.
- Kent
- Uma região do sudeste da Inglaterra, que tinha o seu próprio jeito de falar o inglês antigo, como cada região do Brasil tem o seu sotaque.
- Kovel
- Uma cidade da Ucrânia, no leste da Europa, perto de onde se achou uma ponta de lança com runas.
- Kragehul
- O lugar onde se achou um cabo de lança antigo com runas gravadas.
L
- Latim
- A língua dos antigos romanos, da qual nasceu o português. Em latim, os quer dizer "boca".
- Loki
- Personagem dos mitos nórdicos conhecido pelos seus enganos e truques. O poema norueguês diz justamente que ele "teve sorte em seus enganos".
M
- Manuscrito
- Livro escrito à mão, antes de existir a impressão. Cada cópia era feita por uma pessoa, e por isso duas cópias do mesmo texto podem sair diferentes.
- Milha
- Medida de distância dos ingleses, um pouco mais de um quilômetro e meio. "Estradas de muitas milhas" quer dizer estradas compridas.
N
- Nerthus
- Uma deusa que Tácito descreve na Germania, levada de lugar em lugar numa carroça.
- Nome com asterisco
- O asterisco avisa que ninguém viu essa palavra escrita na época: os linguistas a deduziram comparando línguas.
- Nome com asterisco (*)
- Como *fehu. O asterisco avisa que ninguém viu essa palavra escrita: os linguistas a deduziram comparando línguas. É como reconstruir uma receita de família provando o bolo.
O
- Odin e Gautr
- Odin é o deus mais importante dos mitos do norte, ligado à sabedoria e à guerra. Gautr é um dos seus muitos apelidos.
- Ornamento
- Enfeite. No poema, a generosidade é o que enfeita e dá honra a uma pessoa.
- Os três poemas rúnicos
- Versinhos para decorar o nome de cada runa, feitos séculos depois das pedras: um inglês (conhecido só por uma impressão de 1705, porque o manuscrito queimou em 1731), um norueguês (do século XIII, conhecido por cópias) e um islandês (em manuscritos do fim do século XV). Quem os escreveu já era cristão.
R
- Radical
- O pedaço inicial de uma palavra, a parte que se repete na família dela, como "pedr-" em pedra, pedreiro e pedregulho. O hífen em *perþ- avisa que só esse pedaço é conhecido.
- Reginn
- Ferreiro de uma história antiga do norte. Foi ele quem criou o herói Sigurd e forjou a espada Gramr.
- Rena
- Parente do veado, de chifres galhados, que vive nas terras geladas do norte. É o bicho que puxa o trenó do Papai Noel.
- Ritual de Durham
- Um livro cristão copiado à mão na Inglaterra da Idade Média, ligado à cidade de Durham, no norte do país.
S
- Salão
- A casa grande onde o chefe e os nobres se reuniam e repousavam.
- Século II ao VIII
- Quer dizer mais ou menos do ano 150 ao ano 750. Para ter uma ideia: o Futhark Antigo já tinha saído de uso uns setecentos anos antes de Cabral chegar ao Brasil.
- O Senhor
- No poema inglês, é o Deus cristão. Quem escreveu os poemas já era cristão.
- Senhor, Criador
- São nomes do Deus cristão. O poema inglês foi escrito por cristãos, e nesta estrofe isso aparece inteiro.
- Serva
- Mulher que trabalhava para um senhor sem ser livre para ir embora.
- Sigrdrífumál
- Um poema antigo escrito em nórdico antigo, a língua dos vikings, em que uma personagem ensina encantamentos com runas.
- Som aproximado
- O jeito mais perto de dizer a runa com a boca de quem fala português. O som exato de dois mil anos atrás ninguém gravou.
- Som debatido
- Nenhuma gravação sobreviveu, claro. O som de cada runa é deduzido comparando palavras em línguas aparentadas. Quando as palavras discordam, o som fica em aberto, e é o caso de Eihwaz.
T
- Tácito
- Historiador romano que, por volta do ano 98, escreveu a Germania, um livro sobre os povos do norte da Europa. Foi uns 1.400 anos antes de Cabral.
- Taxus baccata
- O nome científico do teixo, em latim: é o "nome de registro" que os biólogos dão a cada planta.
- Teixo
- Árvore da Europa, de madeira dura e flexível, usada para fazer arcos. É o sentido do nome de Eihwaz.
- The Seafarer
- Quer dizer "O navegante". É um poema antigo da Inglaterra, escrito em inglês antigo, sobre a vida dura de quem vive no mar.
- Thor
- Deus nórdico do trovão, o do martelo, que muita gente conhece dos quadrinhos e do cinema.
- Tiw
- O nome do mesmo deus em inglês antigo. Dele vem Tuesday, a terça-feira em inglês.
- Tocha de pinho
- Um pedaço de madeira de pinheiro, cheio de resina, aceso para iluminar. É o que quer dizer cen em inglês antigo.
- Tyr
- Deus nórdico dos juramentos e da coragem. Em inglês antigo ele se chamava Tiw, e é por isso que a terça-feira em inglês é Tuesday, "dia de Tiw".
U
- Úlcera
- Ferida aberta, que custa a fechar. É o que quer dizer kaun nas línguas escandinavas.
V
- Valer um som
- Dizer que uma runa "vale j" é dizer que ela se lê com aquele som, do jeito que a nossa letra c vale "k" em "casa".
- Valor sonoro
- O som que uma letra representa. Dizer que ele é desconhecido é dizer: sabemos o desenho, não sabemos como se lia.
- Varðrún
- Nome de uma giganta que aparece nas listas de nomes da Edda em prosa, um livro islandês da Idade Média sobre os mitos nórdicos, segundo nota de Dickins.
- Vimose
- Um brejo na Dinamarca onde se acharam objetos antigos com algumas das runas mais antigas que se conhecem.
W
- Wyn, wynn e wenne
- Formas do nome desta runa em inglês antigo, a palavra para "alegria". Wenne é a mesma palavra no jeito de falar de Kent.
Y
- Younger Futhark
- É o nome em inglês do Futhark Jovem. Aparece na referência porque a fonte é o verbete da Wikipedia sobre ele.
Æ
- Æsir
- O grupo principal de deuses dos mitos nórdicos, o grupo de Odin e de Thor. *Ansuz vem da mesma raiz, como "pedra" e "pedreiro" vêm de uma palavra só.
- Ætt
- (diz-se "ét"; no plural, ættir) é uma palavra do nórdico antigo, a língua dos vikings, que quer dizer "família". É como hoje chamamos cada grupo de oito runas.
Þ
- A letra þ
- Letra que o inglês antigo e o nórdico antigo tinham e nós não: soa como o th do inglês "think".
- þ, ð, æ, ǫ
- Letras antigas que aparecem nos versos originais. O þ e o ð soam como o th do inglês; o æ fica entre o a e o é; o ǫ é um tipo de o.
- þ, þorn e þurs
- Þ é uma letra antiga que soa como o th do inglês "think". Þorn quer dizer "espinho" em inglês antigo, e þurs, "gigante" nas línguas da Escandinávia. As duas palavras começam com ela.
- Þorn
- Outra runa, a de Thurisaz, que também virou letra do inglês antigo, para o som de th.
Ʀ
- A letra ʀ
- Um R desenhado do tamanho de uma minúscula, que os estudiosos usam para um som entre o z e o r.