Futhark Antigo · runa 1 de 24
Gado, e daí bens móveis e riqueza (inglês antigo feoh, nórdico fé). O nome antigo é uma reconstrução: nenhuma fonte da época escreve os nomes das runas, e é por isso que ele leva asterisco.
Fehu · ᚠ · desenho da Grimória
Três poemas medievais, um inglês, um norueguês e um islandês, explicam cada runa em uma estrofe. São cristãos e foram escritos séculos depois do Futhark Antigo: são o que se lembrava, não o que se sabia no começo.
Feoh byþ frofur fira gehwylcum;
sceal ðeah manna gehwylc miclun hyt dælan
gif he wile for drihtne domes hleotan.
A riqueza é um conforto para todos os homens; mas cada um deve reparti-la com largueza, se quiser alcançar glória diante do Senhor.
Original e tradução de apoio: Dickins 1915, The Anglo-Saxon Runic Poem, p. 12 (texto) e p. 13 (tradução), v. 1. Scan: https://archive.org/details/runicandheroicpo00dickuoft ; texto limpo cotejado: https://en.wikisource.org/wiki/Rune_poems. Tradução para o português: Grimória.
Fé vældr frænda róge;
føðesk ulfr í skóge.
A riqueza causa discórdia entre parentes; o lobo se cria na floresta.
Original e tradução de apoio: Dickins 1915, The Norwegian Runic Poem, p. 24 (texto) e p. 25 (tradução). Scan: https://archive.org/details/runicandheroicpo00dickuoft ; texto limpo cotejado: https://en.wikisource.org/wiki/Rune_poems. Tradução para o português: Grimória.
Fé er frænda róg
ok flæðar viti
ok grafseiðs gata.
aurum fylkir.
Riqueza: discórdia entre parentes, e fogo do mar, e caminho da serpente. (Glosas do manuscrito: aurum, 'ouro' em latim; fylkir, sinônimo poético de 'rei'.)
Original e tradução de apoio: Dickins 1915, The Icelandic Runic Poem, p. 28 (texto) e p. 29 (tradução). Scan: https://archive.org/details/runicandheroicpo00dickuoft ; texto limpo cotejado: https://en.wikisource.org/wiki/Rune_poems. Tradução para o português: Grimória.
Fato histórico. Está nos três poemas, que discordam no tom: o anglo-saxão diz que a riqueza conforta e deve ser repartida para ganhar honra diante de Deus; o norueguês e o islandês dizem que ela causa discórdia entre parentes (Dickins 1915, pp. 12-13, 24-25, 28-29). A runa f continuou em uso no Futhark Jovem.
Tradição moderna. Costuma ser lida como prosperidade, ganho material e fluxo de recursos. Essa leitura não está nos poemas, que falam de partilha e de conflito. Leituras de oráculo do século XX (Ralph Blum, 1982; Edred Thorsson, 1984, e a literatura posterior).
O que os poemas norueguês e islandês dizem que a riqueza (fé) causa?
Os dois dizem 'frænda róg', discórdia entre parentes. 'Sorte nos negócios' é leitura oracular do séc. XX. Selo: Fato histórico Fonte: Dickins 1915, pp. 24-25 e 28-29
Os versos seguem Bruce Dickins, Runic and Heroic Poems of the Old Teutonic Peoples (Cambridge, 1915), em domínio público, traduzidos para o português a partir dos originais. Cada afirmação sobre inscrições e usos modernos traz a sua fonte entre parênteses, no próprio texto.
Consultados: Dickins 1915 (scan, archive.org) · Wikisource, Rune poems · Wikipedia, Younger Futhark · Wikipedia, Ralph Blum.
O livro sai em 15 de novembro
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