Futhark Antigo · runa 24 de 24
Propriedade herdada, terra da família, terra natal (inglês antigo eþel; nórdico óðal). O nome antigo é uma reconstrução: nenhuma fonte da época escreve os nomes das runas, e é por isso que ele leva asterisco.
Othala · ᛟ · desenho da Grimória
Três poemas medievais, um inglês, um norueguês e um islandês, explicam cada runa em uma estrofe. São cristãos e foram escritos séculos depois do Futhark Antigo: são o que se lembrava, não o que se sabia no começo. Esta runa só existe no poema inglês.
Eþel byþ oferleof æghwylcum men,
gif he mot ðær rihtes and gerysena on
brucan on bolde bleadum oftast.
A terra herdada é muito querida a todo homem, se nela pode gozar, em sua casa, do que é justo e conveniente, em prosperidade constante.
Original e tradução de apoio: Dickins 1915, The Anglo-Saxon Runic Poem, p. 20 (texto) e p. 21 (tradução), v. 71. Scan: https://archive.org/details/runicandheroicpo00dickuoft ; texto limpo cotejado: https://en.wikisource.org/wiki/Rune_poems. Tradução para o português: Grimória.
Fato histórico. Só o poema anglo-saxão a trata, e o verso fala de uma propriedade onde se vive com justiça e prosperidade (Dickins 1915, pp. 20-21). A runa o aparece em inscrições antigas, e Dickins cita o chifre de ouro de Gallehus (horna tawido); ela desaparece do Futhark Jovem por volta do séc. VIII, mas segue em uso na Inglaterra, onde também servia de abreviatura para a palavra eþel em manuscritos como o Beowulf (Dickins, p. 21, nota; Ōþala, Wikipedia).
Tradição moderna. Costuma ser lida como herança, lar, família e pertencimento. Leituras de oráculo do século XX (Ralph Blum, 1982; Edred Thorsson, 1984, e a literatura posterior).
Lenda. 'Othala é a runa do sangue e da raça'. Esse sentido foi criado pelo ocultismo völkisch e pela SS no séc. XX; nenhuma fonte medieval o atesta, e o único verso fala de casa e propriedade (Barnes 2022, citado em Ōþala, Wikipedia).
Na forma com 'asas' (serifas), a Odal foi adotada pela SS como símbolo de parentesco e sangue, foi insígnia do Escritório Central de Raça e Colonização da SS e de unidades como a 7ª Divisão SS de Montanha 'Prinz Eugen' (Ōþala, Wikipedia; Bellingcat). Depois de 1945 segue usada por neonazistas, e em 2016 o National Socialist Movement dos EUA trocou a suástica do logotipo por ela, até 2018 (ADL). Como também é letra do alfabeto rúnico, a ADL lembra que muitos usos não são racistas e que o contexto decide.
Contar isso com fonte é a melhor defesa: quem conhece a história da runa sabe reconhecer quando ela é usada para outra coisa.
O que o poema anglo-saxão diz sobre eþel?
O verso fala de casa e prosperidade. 'Sangue e raça' é invenção do séc. XX (selo Lenda). Selo: Fato histórico Fonte: Dickins 1915, pp. 20-21
Os versos seguem Bruce Dickins, Runic and Heroic Poems of the Old Teutonic Peoples (Cambridge, 1915), em domínio público, traduzidos para o português a partir dos originais. Cada afirmação sobre inscrições e usos modernos traz a sua fonte entre parênteses, no próprio texto.
Consultados: Dickins 1915 (scan, archive.org) · Wikisource, Rune poems · Wikipedia, *Ōþala · Wikipedia, SS runes · Bellingcat · ADL · Wikipedia, Ralph Blum.
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