Grimória · Runas · Thurisaz

Futhark Antigo · runa 3 de 24

A runa Thurisaz, do espinho

Espinho no poema inglês (þorn); gigante, ser hostil, nos escandinavos (þurs). O nome antigo é uma reconstrução: nenhuma fonte da época escreve os nomes das runas, e é por isso que ele leva asterisco.

ᚦ*þurisaz nome reconstruído
✦Som: "þ (th)" no Futhark Antigo, séc. II a VIII
❧Grupo: 1º ætt, de Freyr as 24 runas vêm em três fileiras de oito
Poemas que falam dela3 de 3
Runa Thurisaz (ᚦ) desenhada em traço de gravura dourada

Thurisaz · ᚦ · desenho da Grimória

01O que dizem os poemas

A runa nas palavras de quem ainda sabia ler

Três poemas medievais, um inglês, um norueguês e um islandês, explicam cada runa em uma estrofe. São cristãos e foram escritos séculos depois do Futhark Antigo: são o que se lembrava, não o que se sabia no começo.

Poema anglo-saxãoðorn
Ðorn byþ ðearle scearp; ðegna gehwylcum
anfeng ys yfyl, ungemetum reþe
manna gehwylcum, ðe him mid resteð.

O espinho é extremamente afiado; para qualquer guerreiro, agarrá-lo é mau, e é cruel sem medida para todo homem que se deita entre eles.

Original e tradução de apoio: Dickins 1915, The Anglo-Saxon Runic Poem, p. 12 (texto) e p. 13 (tradução), v. 7. Scan: https://archive.org/details/runicandheroicpo00dickuoft ; texto limpo cotejado: https://en.wikisource.org/wiki/Rune_poems. Tradução para o português: Grimória.

Poema norueguêsþurs
Þurs vældr kvinna kvillu;
kátr værðr fár af illu.

O gigante causa doença às mulheres; poucos se alegram com a desgraça.

Original e tradução de apoio: Dickins 1915, The Norwegian Runic Poem, p. 24 (texto) e p. 25 (tradução). Scan: https://archive.org/details/runicandheroicpo00dickuoft ; texto limpo cotejado: https://en.wikisource.org/wiki/Rune_poems. Tradução para o português: Grimória.

Poema islandêsþurs
Þurs er kvenna kvöl
ok kletta búi
ok varðrúnar verr.
Saturnus þengill.

Gigante: tormento das mulheres, e morador dos rochedos, e marido de Varðrún. (Glosas: Saturnus; þengill, 'rei'.)

Original e tradução de apoio: Dickins 1915, The Icelandic Runic Poem, p. 28 (texto) e p. 29 (tradução). Scan: https://archive.org/details/runicandheroicpo00dickuoft ; texto limpo cotejado: https://en.wikisource.org/wiki/Rune_poems. Tradução para o português: Grimória.

02Fato, tradição, lenda

Cada coisa na sua camada

Fato histórico. O nome muda de poema para poema: todos os alfabetos ingleses têm þorn, 'espinho', e todos os escandinavos têm þurs, 'gigante', já como 'thuris' no Abecedarium Nordmannicum do séc. IX (Dickins 1915, pp. 13 e 24, notas; p. 34). A letra þ foi adotada na escrita latina do inglês antigo e sobreviveu até o inglês médio.

Tradição moderna. Costuma ser lida como força reativa, defesa, conflito ou 'portal'. São leituras modernas; os poemas falam só de espinho e de gigante. Leituras de oráculo do século XX (Ralph Blum, 1982; Edred Thorsson, 1984, e a literatura posterior).

Lenda. Chamá-la de 'runa de Thor' como se fosse sentido antigo. Nenhum dos três poemas menciona Thor; o inglês diz espinho e os escandinavos dizem gigante.

03Teste rápido

Qual é o nome desta runa no poema anglo-saxão, e o que significa?

04Perguntas frequentes
O que significa a runa Thurisaz?
O nome antigo, *þurisaz, é uma reconstrução e se liga a: espinho no poema inglês (þorn); gigante, ser hostil, nos escandinavos (þurs). Os poemas rúnicos medievais dão o sentido de cada tradição, e nem sempre concordam. Os sentidos de oráculo que circulam hoje são tradição moderna, do século XX.
Qual o som da runa Thurisaz?
No Futhark Antigo, Thurisaz (ᚦ) representa o som "þ (th)". É a runa 3 de 24, do 1º ætt.
A runa Thurisaz aparece nos poemas rúnicos?
Sim: anglo-saxão, islandês, norueguês. Os poemas são medievais e cristãos, escritos séculos depois do Futhark Antigo.

De onde vem o que esta página afirma

Os versos seguem Bruce Dickins, Runic and Heroic Poems of the Old Teutonic Peoples (Cambridge, 1915), em domínio público, traduzidos para o português a partir dos originais. Cada afirmação sobre inscrições e usos modernos traz a sua fonte entre parênteses, no próprio texto.

Consultados: Dickins 1915 (scan, archive.org) · Wikisource, Rune poems · Wikipedia, Ralph Blum.

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