Nunca ouviu falar de I Ching? Comece por Onde estamos: a época, o lugar e as pessoas, em cinco minutos.
Corte de Zhou. Um jovem acabou de chegar à capital e ainda não sabe a quem se prender. De um lado, um rapaz da sua idade, cheio de promessas. Do outro, um homem feito, que conhece a corte há trinta invernos.
Ele manda consultar o milefólio, as hastes secas de uma planta que os adivinhos contavam. A figura que sai tem o Trovão embaixo e o Lago em cima: força que se move por baixo de uma superfície calma. Seguir.
O texto não responde por ele. Faz pior: mostra o preço de cada escolha. Quem se prende a um perde o outro. E termina longe dali, no monte de onde a casa de Zhou saiu, com o próprio rei fazendo a sua oferenda.
O jovem queria que o oráculo escolhesse por ele. Se o texto não escolhe, para que serve consultar?
O nome chinês, 隨 (suí, diz-se "suei"), quer dizer seguir: ir atrás de alguém, acompanhar.
Cada hexagrama traz duas camadas de texto antigo. O julgamento é a sentença do hexagrama inteiro. Depois vêm seis frases, uma para cada linha, lidas de baixo para cima.
Cada linha tem um nome que parece código: "Nove na primeira", "Seis na segunda". Nove quer dizer linha inteira; seis, linha partida. No 17, as linhas 2, 3 e 6 são partidas.
Algumas expressões voltam o livro todo. Favorável perseverar quer dizer "vale a pena manter-se firme". Sem culpa: você não errou. Bom augúrio: sinal bom. Infortúnio: sinal ruim.
As frases de cerca de 3 mil anos, traduzidas do chinês. Embaixo de cada uma, em cinza, uma ponte nossa dizendo onde estamos na cena.
Grande êxito. Favorável perseverar. Sem culpa.Texto antigo · as seis linhas, de baixo para cima pontes: leitura da Grimória
Por último, uma frase que não é do livro original: a Grande Imagem, um comentário escrito séculos depois, entre uns 400 e 100 anos antes de Cristo, por estudiosos que liam cada hexagrama como duas imagens da natureza. Nela aparece o nobre, que é a pessoa de caráter reto, não necessariamente rica.
Comentário posterior · a Grande Imagem, séc. IV a II a.C.Trovão no meio do lago: Seguir. O nobre, quando escurece, recolhe-se para descansar.
A Montanha do Oeste é, segundo James Legge, o escocês que traduziu o livro para o inglês em 1882, o monte Qí, berço da casa Zhou. A linha fala de "o rei": é uma das pistas de que o texto foi escrito depois do rei Wen, a quem a lenda atribui os hexagramas. Fato (o que o texto diz) usado como pista para saber quando ele foi escrito.
"I Ching amor 17" é das buscas mais feitas. O texto não fala de romance: fala de a quem se prender e a quem seguir.
Força embaixo, calma em cima: quem segue de verdade se move por dentro, sem fazer barulho por fora.
No caractere 隨, repare no sinal 辶, embaixo e à esquerda. Nos caracteres chineses, ele indica andar, caminhar. Seguir, para quem escreveu esse sinal, era literalmente andar atrás de alguém. Fato
Três perguntas sobre o hexagrama 17. Abre numa janela só sua: o resto da página espera.
Quem você segue hoje porque escolheu, e quem você segue só porque não decidiu?
Chinês do Zhouyi: Wikisource, 周易/隨 · tradução conferida com James Legge, The Yî King, 1882 (domínio público); tradução para o português da Grimória, sem usar a edição brasileira do Wilhelm · milefólio anotado em números no período Zhou Ocidental: Shaughnessy, The Origin and Early Development of the Zhou Changes, Brill, 2022 (acesso aberto) · termos fixos: 吉 bom augúrio, 凶 infortúnio, 无咎 sem culpa, 亨 êxito (na época Zhou, também "oferenda"), 利貞 favorável perseverar · a história completa: De onde vem o I Ching.
Coleção Chinesa · em tradução
Cinco já estão prontos. Os outros 59 estão sendo traduzidos do texto antigo, separando o que tem 3 mil anos do que foi escrito depois. Deixe o seu e-mail e você fica sabendo quando estiverem no ar.
Anotado
Quando os 64 estiverem prontos, o aviso chega no seu e-mail. Enquanto isso, a Grimória tem a mesma régua em tudo: fato com fonte, tradição como tradição, lenda como lenda.
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