Grimória · I Ching · História

A história do I Ching · 5 capítulos

De onde vem o I Ching

O I Ching que se consulta hoje é feito de camadas. Uma tem perto de 3 mil anos. Outras foram escritas séculos depois e, por tradição, atribuídas a reis e sábios que não as escreveram. As moedas entraram mais de mil anos depois do texto. E o livro que a maioria dos brasileiros conhece é uma tradução da tradução de um missionário alemão, publicada em 1924.

Esta página separa as camadas, com a data e a fonte de cada uma.

O I Ching tem 3 mil anos.As moedas, uns 1.400.O livro verde é de 1924.
01A jornada
Comece aquiOnde estamosA época, o lugar, as pessoas e a escrita da China antiga. Para quem nunca ouviu falar de I Ching.Capítulo 1 de 5Antes do livro: o fogo e o cascoHá mais de 3 mil anos, um rei chinês perguntava o futuro a um casco de tartaruga. É aqui que a história começa.Capítulo 2 de 5Os adivinhos de ZhouUma nova dinastia, uma nova planta, e uma profecia que atravessou oito gerações. Ou foi escrita depois?Capítulo 3 de 5As 49 varetasCinquenta hastes, uma posta de lado, e uma conta de quatro em quatro. O ritual mais antigo que alguém descreveu.Capítulo 4 de 5O livro vira sabedoriaUm manual de adivinhação ganhou dez comentários e virou o primeiro dos clássicos. E a assinatura de Confúcio é lenda.Capítulo 5 de 5A viagem ao OcidenteUm jesuíta, um matemático, um missionário, um psiquiatra, um músico e um escritor de ficção científica. E, no fim, uma estante no Brasil.
02Linha do tempo
QuandoO quêSelo
Séc. IX a.C. (fim do Zhou Ocidental)O núcleo: os 64 hexagramas com o julgamento e as frases das linhas. Edward Shaughnessy data a compilação do último quarto do séc. IX a.C., início do reinado do rei Xuan (c. 827-782 a.C.); outros pesquisadores dão faixas entre os séc. X e IV a.C.Tradição acadêmica
No próprio textoO hexagrama 17 fala de "o rei" fazendo oferenda na Montanha do Oeste, berço da casa Zhou. James Legge já notava em 1882 que isso põe o texto, no mínimo, depois do rei Wen.Fato (o que o texto diz)
c. 300 a.C.O manuscrito mais antigo que se conhece: tiras de bambu do Museu de Xangai, copiadas no reino de Chu, com cerca de um terço do texto. Carbono 14: 306 a.C. ± 65.Fato
c. 300 a.C.O Grande Comentário (Xici) descreve a consulta com 50 varetas de milefólio, das quais se usam 49. É a descrição mais antiga do método.Fato
Séc. IV a II a.C.As Dez Asas, os comentários atribuídos a Confúcio, são escritas por autores posteriores, entre os Reinos Combatentes e o início dos Han. A atribuição a Confúcio já era posta em dúvida por Ouyang Xiu (1007-1072) e Sima Guang (1019-1086).Fato (a data) · Lenda (a autoria)
168 a.C.O manuscrito de seda de Mawangdui, achado em 1973 num túmulo Han, traz os hexagramas em outra ordem: oito grupos com o mesmo trigrama de cima.Fato
c. 650 d.C.Primeira menção às moedas: o comentário de Jia Gongyan ao Yili diz "今則用錢", "hoje se usam moedas", e explica o valor de cada combinação.Fato
Séc. X a XIII (dinastia Song)As três moedas se tornam o método comum e vão substituindo as varetas.Tradição acadêmica
1701 e 1703O jesuíta Joachim Bouvet manda da China a Leibniz um diagrama dos hexagramas. Em 1703 Leibniz publica o primeiro comentário europeu, vendo nos hexagramas o seu sistema binário.Fato
1882James Legge publica a tradução inglesa em The Sacred Books of the East. Hoje é domínio público.Fato
1924Richard Wilhelm, missionário alemão que viveu na China, publica I Ging: Das Buch der Wandlungen.Fato
1950Cary F. Baynes traduz o Wilhelm para o inglês (Bollingen Series XIX), com prefácio de Carl Gustav Jung. É por esta linha (Wilhelm, Baynes, Jung) que o I Ching chega ao Ocidente moderno.Fato
1951John Cage compõe Music of Changes sorteando cada som pelos hexagramas.Fato
1962Philip K. Dick publica O Homem do Castelo Alto; personagens consultam o I Ching, e ele contou que tirava hexagramas para decidir o rumo da trama.Fato (o livro) · relato do autor (o método)
No BrasilA edição da Editora Pensamento, o "livro verde", é a tradução do Wilhelm: 1,1 mil avaliações na Amazon em 08/10/2026.Fato
03Moedas ou varetas

As duas formas dão os mesmos quatro valores de linha (6, 7, 8 e 9), mas com chances diferentes.

LinhaTrês moedas49 varetas
6 · yin que muda1 em 8 (2/16)1 em 16
7 · yang firme3 em 8 (6/16)5 em 16
8 · yin firme3 em 8 (6/16)7 em 16
9 · yang que muda1 em 8 (2/16)3 em 16
  • Nos dois métodos, uma linha em cada quatro muda (moedas: 2+2 de 16; varetas: 1+3 de 16).
  • A diferença está em qual linha muda: nas varetas, o yang muda três vezes mais que o yin. Nas moedas, os dois mudam igual.
  • Nenhum dos dois é "o certo". As varetas são o método mais antigo descrito; as moedas são uma simplificação que tem pelo menos 1.400 anos.

Fonte das chances: I Ching divination, Wikipedia (contas conferidas à mão).

04O que o I Ching não é
  • Não é previsão do futuro. O texto antigo fala de oferendas, carroças, guerras e casamentos da corte Zhou. Ler isso como resposta sobre dinheiro e amor é uma leitura moderna.
  • Não é taoísta nem confuciano de origem. É anterior às duas escolas e foi adotado pelas duas.
  • Não foi escrito por Confúcio. Ver a linha do tempo.

No Oráculo das Mutações você pode consultar com as moedas ou com as varetas, e cada hexagrama mostra o texto antigo separado do que foi escrito depois.

De onde vem isto (fontes)

Todas as fontes, na ordem da página:

Coleção Chinesa · em tradução

Os 64 hexagramas, traduzidos do chinês, com a fonte de cada frase.

Cinco já estão prontos. Os outros 59 estão sendo traduzidos do texto antigo, separando o que tem 3 mil anos do que foi escrito depois. Deixe o seu e-mail e você fica sabendo quando estiverem no ar.

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