A história do I Ching · 5 capítulos
O I Ching que se consulta hoje é feito de camadas. Uma tem perto de 3 mil anos. Outras foram escritas séculos depois e, por tradição, atribuídas a reis e sábios que não as escreveram. As moedas entraram mais de mil anos depois do texto. E o livro que a maioria dos brasileiros conhece é uma tradução da tradução de um missionário alemão, publicada em 1924.
Esta página separa as camadas, com a data e a fonte de cada uma.
| Quando | O quê | Selo |
|---|---|---|
| Séc. IX a.C. (fim do Zhou Ocidental) | O núcleo: os 64 hexagramas com o julgamento e as frases das linhas. Edward Shaughnessy data a compilação do último quarto do séc. IX a.C., início do reinado do rei Xuan (c. 827-782 a.C.); outros pesquisadores dão faixas entre os séc. X e IV a.C. | Tradição acadêmica |
| No próprio texto | O hexagrama 17 fala de "o rei" fazendo oferenda na Montanha do Oeste, berço da casa Zhou. James Legge já notava em 1882 que isso põe o texto, no mínimo, depois do rei Wen. | Fato (o que o texto diz) |
| c. 300 a.C. | O manuscrito mais antigo que se conhece: tiras de bambu do Museu de Xangai, copiadas no reino de Chu, com cerca de um terço do texto. Carbono 14: 306 a.C. ± 65. | Fato |
| c. 300 a.C. | O Grande Comentário (Xici) descreve a consulta com 50 varetas de milefólio, das quais se usam 49. É a descrição mais antiga do método. | Fato |
| Séc. IV a II a.C. | As Dez Asas, os comentários atribuídos a Confúcio, são escritas por autores posteriores, entre os Reinos Combatentes e o início dos Han. A atribuição a Confúcio já era posta em dúvida por Ouyang Xiu (1007-1072) e Sima Guang (1019-1086). | Fato (a data) · Lenda (a autoria) |
| 168 a.C. | O manuscrito de seda de Mawangdui, achado em 1973 num túmulo Han, traz os hexagramas em outra ordem: oito grupos com o mesmo trigrama de cima. | Fato |
| c. 650 d.C. | Primeira menção às moedas: o comentário de Jia Gongyan ao Yili diz "今則用錢", "hoje se usam moedas", e explica o valor de cada combinação. | Fato |
| Séc. X a XIII (dinastia Song) | As três moedas se tornam o método comum e vão substituindo as varetas. | Tradição acadêmica |
| 1701 e 1703 | O jesuíta Joachim Bouvet manda da China a Leibniz um diagrama dos hexagramas. Em 1703 Leibniz publica o primeiro comentário europeu, vendo nos hexagramas o seu sistema binário. | Fato |
| 1882 | James Legge publica a tradução inglesa em The Sacred Books of the East. Hoje é domínio público. | Fato |
| 1924 | Richard Wilhelm, missionário alemão que viveu na China, publica I Ging: Das Buch der Wandlungen. | Fato |
| 1950 | Cary F. Baynes traduz o Wilhelm para o inglês (Bollingen Series XIX), com prefácio de Carl Gustav Jung. É por esta linha (Wilhelm, Baynes, Jung) que o I Ching chega ao Ocidente moderno. | Fato |
| 1951 | John Cage compõe Music of Changes sorteando cada som pelos hexagramas. | Fato |
| 1962 | Philip K. Dick publica O Homem do Castelo Alto; personagens consultam o I Ching, e ele contou que tirava hexagramas para decidir o rumo da trama. | Fato (o livro) · relato do autor (o método) |
| No Brasil | A edição da Editora Pensamento, o "livro verde", é a tradução do Wilhelm: 1,1 mil avaliações na Amazon em 08/10/2026. | Fato |
As duas formas dão os mesmos quatro valores de linha (6, 7, 8 e 9), mas com chances diferentes.
| Linha | Três moedas | 49 varetas |
|---|---|---|
| 6 · yin que muda | 1 em 8 (2/16) | 1 em 16 |
| 7 · yang firme | 3 em 8 (6/16) | 5 em 16 |
| 8 · yin firme | 3 em 8 (6/16) | 7 em 16 |
| 9 · yang que muda | 1 em 8 (2/16) | 3 em 16 |
Fonte das chances: I Ching divination, Wikipedia (contas conferidas à mão).
No Oráculo das Mutações você pode consultar com as moedas ou com as varetas, e cada hexagrama mostra o texto antigo separado do que foi escrito depois.
Todas as fontes, na ordem da página:
Coleção Chinesa · em tradução
Cinco já estão prontos. Os outros 59 estão sendo traduzidos do texto antigo, separando o que tem 3 mil anos do que foi escrito depois. Deixe o seu e-mail e você fica sabendo quando estiverem no ar.
Anotado
Quando os 64 estiverem prontos, o aviso chega no seu e-mail. Enquanto isso, a Grimória tem a mesma régua em tudo: fato com fonte, tradição como tradição, lenda como lenda.
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