Grimória · Runas · Algiz

Futhark Antigo · runa 15 de 24

A runa Algiz, da junça

Incerto. No poema inglês, uma junça de brejo que corta (eolh-secg); o nome antigo *algiz é reconstrução, e propostas como 'alce' ou 'proteção' são hipóteses. O nome antigo é uma reconstrução: nenhuma fonte da época escreve os nomes das runas, e é por isso que ele leva asterisco.

ᛉ*algiz nome reconstruído
✦Som: "z (depois R)" no Futhark Antigo, séc. II a VIII
❧Grupo: 2º ætt, de Hagal as 24 runas vêm em três fileiras de oito
Poemas que falam dela1 de 3
Runa Algiz (ᛉ) desenhada em traço de gravura dourada

Algiz · ᛉ · desenho da Grimória

01O que dizem os poemas

A runa nas palavras de quem ainda sabia ler

Três poemas medievais, um inglês, um norueguês e um islandês, explicam cada runa em uma estrofe. São cristãos e foram escritos séculos depois do Futhark Antigo: são o que se lembrava, não o que se sabia no começo. Esta runa só existe no poema inglês.

Poema anglo-saxãoeolh-secg (Hickes: eolhx seccard)
Eolh-secg eard hæfþ oftust on fenne
wexeð on wature, wundaþ grimme,
blode breneð beorna gehwylcne
ðe him ænigne onfeng gedeþ.

A junça eolh mora quase sempre no brejo, cresce na água, fere com crueldade, cobre de sangue todo guerreiro que tenta agarrá-la.

Original e tradução de apoio: Dickins 1915, The Anglo-Saxon Runic Poem, p. 16 (texto) e p. 17 (tradução), v. 41. Scan: https://archive.org/details/runicandheroicpo00dickuoft ; texto limpo cotejado: https://en.wikisource.org/wiki/Rune_poems. Tradução para o português: Grimória.

02Fato, tradição, lenda

Cada coisa na sua camada

Fato histórico. Só o poema anglo-saxão tem estrofe para ela, e ali o assunto é uma junça cortante do brejo, de espécie desconhecida (Dickins 1915, pp. 16-17). O som original z se perdeu; a forma da runa passou ao Futhark Jovem como ʀ, mas com o nome ýr, herdado de *ī(h)waz (Algiz, Wikipedia). O sentido 'proteção' para *algiz é uma conjectura de Elliott (1980), não um dado das fontes medievais.

Tradição moderna. Costuma ser lida como proteção, defesa e ligação com o divino. Essa leitura não aparece no único poema que trata da runa. Leituras de oráculo do século XX (Ralph Blum, 1982; Edred Thorsson, 1984, e a literatura posterior).

Lenda. 'Algiz é a runa da proteção ancestral'. O único verso medieval fala de uma junça que fere quem a toca; 'proteção' é hipótese etimológica moderna (Algiz, Wikipedia; Dickins 1915, p. 17).

Um aviso honesto

Com o nome 'Lebensrune' (runa da vida), a forma de Algiz foi usada no nazismo, inclusive em prescrições de uniforme da SA e, com a forma invertida como 'Todesrune', em datas de nascimento e morte em obituários e lápides (Algiz, Wikipedia). O uso vem das runas Armanen de Guido von List, e a revista Stimmen der Zeit já apontava em 1940 que não tinha precedente medieval. A forma segue em uso por grupos neonazistas, e o contexto decide a leitura.

Contar isso com fonte é a melhor defesa: quem conhece a história da runa sabe reconhecer quando ela é usada para outra coisa.

03Teste rápido

O que o único poema rúnico que trata desta runa (o anglo-saxão) descreve?

04Perguntas frequentes
O que significa a runa Algiz?
O nome antigo, *algiz, é uma reconstrução e se liga a: incerto. no poema inglês, uma junça de brejo que corta (eolh-secg); o nome antigo *algiz é reconstrução, e propostas como 'alce' ou 'proteção' são hipóteses. Só o poema rúnico anglo-saxão fala desta runa. Os sentidos de oráculo que circulam hoje são tradição moderna, do século XX.
Qual o som da runa Algiz?
No Futhark Antigo, Algiz (ᛉ) representa o som "z (depois R)". É a runa 15 de 24, do 2º ætt.
A runa Algiz aparece nos poemas rúnicos?
Sim, apenas no poema anglo-saxão, porque o Futhark Jovem, usado na Escandinávia da Era Viking, deixou esta runa de fora.

De onde vem o que esta página afirma

Os versos seguem Bruce Dickins, Runic and Heroic Poems of the Old Teutonic Peoples (Cambridge, 1915), em domínio público, traduzidos para o português a partir dos originais. Cada afirmação sobre inscrições e usos modernos traz a sua fonte entre parênteses, no próprio texto.

Consultados: Dickins 1915 (scan, archive.org) · Wikisource, Rune poems · Wikipedia, Algiz · Wikipedia, SS runes · Wikipedia, Ralph Blum.

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