Grimória · Runas · Berkanan

Futhark Antigo · runa 18 de 24

A runa Berkanan, da bétula

Bétula; no poema inglês, talvez o álamo. O nome antigo é uma reconstrução: nenhuma fonte da época escreve os nomes das runas, e é por isso que ele leva asterisco.

ᛒ*berkanan nome reconstruído
✦Som: "b" no Futhark Antigo, séc. II a VIII
❧Grupo: 3º ætt, de Tyr as 24 runas vêm em três fileiras de oito
Poemas que falam dela3 de 3
Runa Berkanan (ᛒ) desenhada em traço de gravura dourada

Berkanan · ᛒ · desenho da Grimória

01O que dizem os poemas

A runa nas palavras de quem ainda sabia ler

Três poemas medievais, um inglês, um norueguês e um islandês, explicam cada runa em uma estrofe. São cristãos e foram escritos séculos depois do Futhark Antigo: são o que se lembrava, não o que se sabia no começo.

Poema anglo-saxãobeorc
Beorc byþ bleda leas, bereþ efne swa ðeah
tanas butan tudder, biþ on telgum wlitig,
heah on helme hrysted fægere,
geloden leafum, lyfte getenge.

A bétula não dá frutos, e mesmo assim produz rebentos sem semente; é bela nos ramos, alta na copa, belamente adornada, carregada de folhas, tocando o céu.

Original e tradução de apoio: Dickins 1915, The Anglo-Saxon Runic Poem, p. 18 (texto) e p. 19 (tradução), v. 51. Scan: https://archive.org/details/runicandheroicpo00dickuoft ; texto limpo cotejado: https://en.wikisource.org/wiki/Rune_poems. Tradução para o português: Grimória.

Poema norueguêsbjarkan
Bjarkan er laufgrønstr líma;
Loki bar flærða tíma.

A bétula é o ramo de folhas mais verdes; Loki teve sorte em seus enganos.

Original e tradução de apoio: Dickins 1915, The Norwegian Runic Poem, p. 26 (texto) e p. 27 (tradução). Scan: https://archive.org/details/runicandheroicpo00dickuoft ; texto limpo cotejado: https://en.wikisource.org/wiki/Rune_poems. Tradução para o português: Grimória.

Poema islandêsbjarkan
Bjarkan er laufgat lim
ok lítit tré
ok ungsamligr viðr.
abies buðlungr.

Bétula: ramo cheio de folhas, e árvore pequena, e arbusto novo. (Glosas: abies, 'abeto'; buðlungr, 'rei'.)

Original e tradução de apoio: Dickins 1915, The Icelandic Runic Poem, p. 30 (texto) e p. 31 (tradução). Scan: https://archive.org/details/runicandheroicpo00dickuoft ; texto limpo cotejado: https://en.wikisource.org/wiki/Rune_poems. Tradução para o português: Grimória.

02Fato, tradição, lenda

Cada coisa na sua camada

Fato histórico. Os poemas escandinavos falam da bétula; no anglo-saxão a árvore descrita não dá frutos e brota sem semente, e por isso Dickins traduz por 'álamo' (Dickins 1915, pp. 18-19, 26-27, 30-31). O poema norueguês junta à runa um verso sobre Loki.

Tradição moderna. Costuma ser lida como nascimento, crescimento, cuidado e fertilidade, muitas vezes associada a uma deusa-mãe, sem apoio nos poemas. Leituras de oráculo do século XX (Ralph Blum, 1982; Edred Thorsson, 1984, e a literatura posterior).

03Teste rápido

Qual personagem mitológico aparece no verso norueguês da bétula (bjarkan)?

04Perguntas frequentes
O que significa a runa Berkanan?
O nome antigo, *berkanan, é uma reconstrução e se liga a: bétula; no poema inglês, talvez o álamo. Os poemas rúnicos medievais dão o sentido de cada tradição, e nem sempre concordam. Os sentidos de oráculo que circulam hoje são tradição moderna, do século XX.
Qual o som da runa Berkanan?
No Futhark Antigo, Berkanan (ᛒ) representa o som "b". É a runa 18 de 24, do 3º ætt.
A runa Berkanan aparece nos poemas rúnicos?
Sim: anglo-saxão, islandês, norueguês. Os poemas são medievais e cristãos, escritos séculos depois do Futhark Antigo.

De onde vem o que esta página afirma

Os versos seguem Bruce Dickins, Runic and Heroic Poems of the Old Teutonic Peoples (Cambridge, 1915), em domínio público, traduzidos para o português a partir dos originais. Cada afirmação sobre inscrições e usos modernos traz a sua fonte entre parênteses, no próprio texto.

Consultados: Dickins 1915 (scan, archive.org) · Wikisource, Rune poems · Wikipedia, Ralph Blum.

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