Futhark Antigo · runa 17 de 24
O deus *Tīwaz (nórdico Týr, inglês Tiw), que dá nome à terça-feira em inglês (Tuesday). O nome antigo é uma reconstrução: nenhuma fonte da época escreve os nomes das runas, e é por isso que ele leva asterisco.
Tiwaz · ᛏ · desenho da Grimória
Três poemas medievais, um inglês, um norueguês e um islandês, explicam cada runa em uma estrofe. São cristãos e foram escritos séculos depois do Futhark Antigo: são o que se lembrava, não o que se sabia no começo.
Tir biþ tacna sum, healdeð trywa wel
wiþ æþelingas; a biþ on færylde
ofer nihta genipu, næfre swiceþ.
Tir é um dos sinais; guarda bem a fé com os príncipes; está sempre em seu curso sobre as névoas da noite, e nunca falha.
Original e tradução de apoio: Dickins 1915, The Anglo-Saxon Runic Poem, p. 18 (texto) e p. 19 (tradução), v. 48. Scan: https://archive.org/details/runicandheroicpo00dickuoft ; texto limpo cotejado: https://en.wikisource.org/wiki/Rune_poems. Tradução para o português: Grimória.
Týr er æinendr ása;
opt værðr smiðr blása.
Týr é o deus de uma só mão entre os Æsir; muitas vezes o ferreiro tem de soprar.
Original e tradução de apoio: Dickins 1915, The Norwegian Runic Poem, p. 26 (texto) e p. 27 (tradução). Scan: https://archive.org/details/runicandheroicpo00dickuoft ; texto limpo cotejado: https://en.wikisource.org/wiki/Rune_poems. Tradução para o português: Grimória.
Týr er einhendr áss
ok ulfs leifar
ok hofa hilmir.
Mars tiggi.
Týr: deus de uma só mão, e sobras do lobo, e príncipe dos templos. (Glosas: Mars; tiggi, 'rei'.)
Original e tradução de apoio: Dickins 1915, The Icelandic Runic Poem, p. 30 (texto) e p. 31 (tradução). Scan: https://archive.org/details/runicandheroicpo00dickuoft ; texto limpo cotejado: https://en.wikisource.org/wiki/Rune_poems. Tradução para o português: Grimória.
Fato histórico. O norueguês e o islandês falam do deus Týr, de uma só mão; o anglo-saxão, de um 'sinal' que segue seu curso na noite, lido como estrela (Dickins 1915, pp. 18-19, 26-27, 30-31). Dickins considera que o nome original era Ti/Tiw, de *Tīwaz, e que tir é erro de cópia (p. 18, nota).
Tradição moderna. Costuma ser lida como justiça, coragem, sacrifício e vitória. Leituras de oráculo do século XX (Ralph Blum, 1982; Edred Thorsson, 1984, e a literatura posterior).
Na versão das runas Armanen de List, a runa de Týr foi insígnia das escolas de formação da SA (Reichsführerschulen) e da 32ª Divisão de Granadeiros Voluntários da SS '30 Januar' (Tiwaz, Wikipedia). Depois de 1945 aparece em emblemas neonazistas, como o do Thule-Seminar e o do Movimento de Resistência Nórdica. A runa também é usada por pagãos germânicos sem conotação política.
Contar isso com fonte é a melhor defesa: quem conhece a história da runa sabe reconhecer quando ela é usada para outra coisa.
Como os poemas norueguês e islandês descrevem Týr?
'Einhendr', de uma só mão. A estrela é a leitura do verso inglês, não dos escandinavos. Selo: Fato histórico Fonte: Dickins 1915, pp. 26-27 e 30-31
Os versos seguem Bruce Dickins, Runic and Heroic Poems of the Old Teutonic Peoples (Cambridge, 1915), em domínio público, traduzidos para o português a partir dos originais. Cada afirmação sobre inscrições e usos modernos traz a sua fonte entre parênteses, no próprio texto.
Consultados: Dickins 1915 (scan, archive.org) · Wikisource, Rune poems · Wikipedia, Tiwaz (rune) · Wikipedia, Ralph Blum.
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