Nunca ouviu falar de I Ching? Comece por Onde estamos: a época, o lugar e as pessoas, em cinco minutos.
1701. Na China, o jesuíta Joachim Bouvet dobra com cuidado uma folha com os 64 hexagramas desenhados em círculo e a manda para a Europa, para um matemático alemão.
Gottfried Leibniz abre a carta e não acredita. Ele tinha inventado um jeito de escrever todos os números com dois sinais, 0 e 1. E ali estava, em linhas inteiras e partidas, algo que lhe pareceu o mesmo sistema, desenhado milhares de anos antes.
Dois séculos depois, em Qingdao, uma cidade do litoral chinês, um missionário alemão chamado Richard Wilhelm senta com um velho letrado chinês, um estudioso dos livros antigos, e começa a traduzir o livro, frase por frase. Dessa tradução sai o livro verde que está nas estantes do Brasil.
Um livro chinês de 3 mil anos foi parar numa estante brasileira. Por quantas mãos ele passou, e o que cada uma mudou?
Ao lado de cada informação vai um selo. Fato é o que se vê nos ossos e nas escavações. Lenda é o que se conta sem prova. Tradição acadêmica é o que a maioria dos estudiosos pensa, sem prova definitiva.
O livro verde é o chinês antigo, traduzido para o alemão por Wilhelm, e daí para o português. Cada passo trouxe o olhar do seu tempo. É por isso que a Grimória traduz direto do chinês, conferindo com Legge, e separa o que tem 3 mil anos do que foi escrito depois.
Você chegou ao fim da jornada. Agora sabe mais da origem do I Ching do que quase todo mundo que o consulta.
Em 0 e 1, de cima para baixo
111111
Em número comum
63
Com seis linhas dá para escrever 64 números, de 0 a 63: um para cada hexagrama. Foi isso que encantou Leibniz.
O sistema de dois sinais que Leibniz viu nos hexagramas é o mesmo que os computadores e os celulares usam hoje para guardar tudo: textos, fotos, músicas. Inclusive esta página. Fato
Três perguntas sobre o capítulo 5. Abre numa janela só sua: o resto da página espera.
Que livro chegou até você por uma corrente de pessoas, cada uma acrescentando um pouco de si?
I Ching, Wikipedia · Richard Wilhelm, Wikipedia · Baynes, The I Ching or Book of Changes, Pantheon, 1950, Bollingen Series 19 (HathiTrust) · John Cage, Music of Changes (Wise Music) · Paul Mountfort, Science Fiction Studies, 2016 (repositório) · Amazon.com.br, busca "i ching"
Coleção Chinesa · em tradução
Cinco já estão prontos. Os outros 59 estão sendo traduzidos do texto antigo, separando o que tem 3 mil anos do que foi escrito depois. Deixe o seu e-mail e você fica sabendo quando estiverem no ar.
Anotado
Quando os 64 estiverem prontos, o aviso chega no seu e-mail. Enquanto isso, a Grimória tem a mesma régua em tudo: fato com fonte, tradição como tradição, lenda como lenda.
A Coleção Grimória reúne quatro volumes sobre a bruxaria praticada hoje, do primeiro grimório ao primeiro ritual completo, com o Caderno de Materiais de bônus. Cada afirmação com o selo de fato, tradição ou lenda.